Ganga Power

Rishikesh é uma bolha de sabão, um micro sistema dentro de um micro mundo que é o nosso e corre o risco de rebentar a qualquer momento. Não interessa se acreditas num espírito ou não, numa alma ou em energias, tão pouco importa se te fazes chamar de ateu. Aqui, na capital mundial do yoga, cidade cortada a meio pelo Ganges, até o mais céptico sente-se balançado. Uns cosem os pés à terra e tem fortes combates com a razão, outros deixam-se flutuar como balões coloridos entre energias, meditações, sacras ,yogas e todo o tipo de conversas fantásticas e teorias paranormais. Não interessa se vais de fio e agulha na mão para te amarrares ao chão ou com um bilha de hélio para te lançares ao ar. Sabemos é que enquanto lá estivemos apeteceu-nos levar lá as nossas pessoas mais próximas, para poderem experienciar o mesmo que nós…

Toda gente devia procurar ter contacto com um lugar como este.  Como tudo na vida, há experiências que à que viver nem que seja com o único propósito de tomar conhecimento, abrir o mapa, aumentar a perspectiva e depois escolher. Quanto menos se conhece menos se escolhe. É mais simples é certo, mas quanto mais se procura mais se descobre e mais se encontra. Torna-se difícil também é certo, mais decisões se tomam, mas mais livres nos tornamos. Aqui está a nossa própria procura da liberdade e não no acto de largar tudo e ir viajar.

Vir aqui, no geral vir à Índia, mas aqui torna-se muito objectivo, é um lembrete de que do teu espírito, alma, o teu ser, o teu interior, o que tu lhe quiseres chamar existe. No ritmo de vida habitual andamos distraídos ”à procura da felicidade” em todo o que nos rodeia e esquecemo-nos de alimentá-la dentro de nós. Existem inúmeras “cordas de salvação” a que te podes agarrar, podem ser religiões, desportos, artes e meditações, e não importa o que tu escolhes. O importante é encontrares o teu momento no dia a que recorres unicamente para conversar contigo para te conheceres, para cresceres…
Na Índia ainda ninguém se esqueceu disto. No ocidente temos todos mais que fazer!

Como já dissemos nesta bolha corre um rio, o sagrado, o magnifico, o todo poderoso e grandioso Ganges. Banhamo-nos lá todos os dias e já alcançámos a vida eterna, mas a brincar a brincar aquela água é potente. Há duas teorias que fazem deste rio especial: ou é sagrado por natureza e nasce da cabeça de Shiva que é no que acreditam os hindus; ou tornou-se sagrado pelas milhares de pessoas que há milhares de anos vão lá todos os dias rezar, fazer rituais e depositar boas energias.

Para não vos darmos uma seca vamos parar de divagar. A sorte de viajar sem planear é que em vez de ficarmos cá três dias, apeteceu-nos ficar quinze. Formámos uma enorme família, o Eddy e o Mariano já conhecem, apresentamos agora duas portuguesas super bacanas, a Carla e a Senhora Dona Maria (a cota mais jovem e divertida de todo o sempre), mais uma Argentina a Samantha, o Carlos um espanhol que ficou a viajar connosco mais três semanas, o Jorge,  um excelente músico e óptima pessoa, um casal de artesãos: ele chileno e ela francesa, (os nossos grandes mestres de macramé), o Luís e o Guilherme, brasileiros com óptimo sentido de humor, como não podia deixar de ser, muitos visitantes temporários que se juntavam a nós de vez em quando e por último todo o staff do café Namaste que para além de serem os nossos cozinheiros três vezes por dia adoptaram-nos. Quem aqui vier não pode deixar de os conhecer.

Entre o Mariano e o Jorge todas as noite havia concerto certo! A festa arma-se de tal maneira que certo dia os amigos do Namaste tiraram mesas e cadeiras, puxaram o trance ao máximo e puseram toda a gente a dançar.
Os shows do Mariano eram a comédia total. É incrível que possa existir alguém tão à vontade consigo e com o mundo e a bateria nunca se lhe acaba! Não sabemos como é que ele ainda não foi descoberto, mas será famoso!
O Jorge introduziu-nos um novo instrumento, o hang. Os seus concertos eram hipnotizantes e elevavam-nos às alturas, transportando-nos para um outro mundo. Quando ele toca o mundo pára.

Houve um dia em que a família toda alugou motas e subiu montanhas até ao templo de Shiva. Vêm–se vistas esmagadoras e no caminho parámos numa cascata onde supostamente Shiva bebeu água e na nossa ignorância bebemos também. Mais tarde soubemos que segundo a lenda, essa foi a água envenenada que pintou Shiva de azul. Nós continuamos vivas, bronzeadas e suadas.

Curiosidades:
Sabiam que existe um baba Brasileiro? O Prém Baba.  Fizemos-lhe várias visitas.
Sabiam que vamos aparecer num video clip indiano? Estavam a gravar na praia. Aparecemos lá todos a dançar e a gritar (não sabíamos a letra).

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6 pensamentos em “Ganga Power

  1. Eu penso que nas civilizações em que existe mais simplicidade e menos tecnologia, os valores são diferentes, o ser humano aí está mais fixo na vida , na fé, nas crenças.
    A modernidade absorve a vida e as pessoas esquecem-se de VIVER e do significado que isso tem, apenas se preocupam com o consumismo, olhando sempre para o outro, no sentido de o imitar, e assim acabamos por viver uma vida vazia e limitada!
    Realmente viajar abre-nos os horizontes e o conhecimento, e sendo para civilizações diferentes da nossa mais positivo se torna
    Sempre fui desta opinião e ler as vossas experiências, confirma realmente
    o que eu penso.

    Como deve ser bom viver tudo isso, fascinante, indescrtitível, único… Que invejinha!!! Invejinha daquela positive :0)

    Parabéns pela experiência pelas danças , pelas vivências e pelo que voçês são!
    continuem , eu adoro !!! Obrigada !!! Beijos grandes

    • ó queridas, que bom ouvi las falar de Rishikesh.E tenho muitas saudades de todos vos.adoro ler as cronicas.O maximo.vossa cota maria

  2. bem só de vos ler e de ver as fotos,fico feliz.e adorei conhecer vos.agora ja sabem, somos amigas para sempre.ontem estive com a Carla e relembramos os nossos maravilhosos momentos em Rishikesh no NAMASTE com as mais lindas viajantes tugas.boa sorte e contnuem a manter me informada de tudo.amo vos

  3. Q escandalo! quero conhecer esse sitio. sinto essa energia! quero muito. o que escreveram está tao certo…. se me saísse um premiozinho no euromilhoes ia ter convosco já! mil beijos para as duas….

  4. Este é um bom post, sem dúvida. Para além de uma perspectiva espiritual que experimentaram e que transportam convosco nessa viagem, existe ainda mais forte, aquilo que está a ser a vossa procura e descoberta e decisão e liberdade, que é o que conecta mais profundamente com aqueles que deixaram cá. Imagino que tu Tita me quisesses levar a esse tal sítio (:: estou a ser presunçosa, mas acredito que sim. É tão reconfortante sentir que nos transportam com vocês e que este diário é para lém de um registo, esse transporte aéreo e idílico de nós com vocês. Obrigada!!

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